
Filosofias, Religiões e Ordens
“Temos bastante religião para nos odiarmos, mas não o suficiente para nos amarmos.”
Jonathan Swift

✨ Filosofias, Religiões e Ordens — Sob o Julgo da Luz de Coris
Na vastidão da galáxia, onde antes floresciam centenas de credos, ordens místicas e filosofias que refletiam a imensa diversidade cultural dos povos estelares, hoje reina apenas um único dogma: a Luz de Coris. Não existe espaço para pluralidade religiosa ou filosófica no Reino Galáctico de Coris. Tudo o que não se curva à doutrina sagrada é, por definição, heresia — e a heresia, sob o olhar do Reino, não é apenas um crime espiritual... é um crime contra a própria existência.
A Luz de Coris não é apenas uma fé. Ela é o alicerce da política, da justiça, da economia e da cultura. Ela não oferece escolha; oferece submissão. Seus preceitos não são debatidos, não são questionados — são impostos, inquestionáveis, perpétuos. A doutrina define o que é verdadeiro, o que é permitido, o que é belo e, principalmente, quem merece existir.
Todas as formas de culto local, ritos ancestrais, doutrinas filosóficas alternativas e tradições místicas foram declaradas heréticas. E sobre os ombros dessa cruzada doutrinária ergue-se a mais temida instituição da galáxia: a Inquisição Coristiana.
A Inquisição Coristiana se espalha pelos quadrantes com uma determinação fria e impiedosa. Seu juramento é proteger a pureza da fé, mas sua função verdadeira vai muito além da espiritualidade. A Inquisição é o braço invisível que mantém a ordem, que sufoca pensamentos livres, que elimina divergências, que transforma suspeitas em condenações e dúvidas em execuções.
Sob o lema irônico de “Liberdade, Justiça e Harmonia: Unindo Mundos, Semeando Paz”, a Inquisição age como um organismo vivo, espalhado por toda a estrutura social. Sua presença não é apenas nas capelas e templos, mas também nos tribunais, nos mercados, nas universidades, nas estações orbitais e até nos conselhos planetários. Onde houver uma palavra sussurrada contra a Luz, onde houver uma prática não sancionada, onde um símbolo proibido surgir — ali estará a sombra da Inquisição.
Sua hierarquia reflete a frieza de sua missão. No topo, o Grão-Inquisidor, figura de poder absoluto dentro do corpo inquisitorial, responde diretamente ao Pastor Supremo do Reino. Abaixo dele, o Conselho Supremo da Inquisição, composto por teólogos, juízes sagrados e autoridades do clero. São eles que escrevem as bulas inquisitoriais, determinam quais práticas passam a ser proibidas e autorizam campanhas de purificação em sistemas inteiros.
Os Inquisidores, verdadeiros caçadores de hereges, percorrem a galáxia portando autoridade irrestrita. Seus poderes se sobrepõem a qualquer governador planetário, senador ou comandante militar. Eles podem interrogar, prender, confiscar e até sentenciar, sem necessidade de qualquer outro tipo de julgamento. A palavra de um Inquisidor, aos olhos da Lei Sagrada, é a própria vontade de Coris manifestada.
Ao seu lado estão os Fiscais, investigadores e agentes que alimentam a máquina inquisitorial com informações, suspeitas e denúncias. Notários registram todos os passos do processo inquisitorial, desde o interrogatório inicial até a execução da sentença. E, finalmente, os Alguacis, oficiais da ordem, executam os mandados, fazem as prisões e, quando necessário, comandam as execuções públicas — que, muitas vezes, servem tanto como castigo quanto como espetáculo de doutrinação.
A Inquisição possui sua sede na cidade sagrada de Bubilas, na Diocese Juliets, um verdadeiro complexo fortificado onde arquivos, celas, câmaras de julgamento e templos estão dispostos lado a lado. É ali que as maiores decisões doutrinárias são tomadas, e onde se encontram os registros de toda a história oculta do Reino — de perseguições, extinções culturais e extermínios ritualizados.
Ao longo dos séculos, outras ordens menores foram autorizadas a existir, sempre sob a supervisão da Inquisição e do Clero. Ordens de estudiosos, de arquitetos sagrados, de cronistas do dogma ou de vigilantes menores compõem o mosaico hierárquico do Reino. Mas nenhuma delas possui qualquer poder real que se compare à magnitude da Inquisição.
O eco das palavras do falecido Diácono Aristesus Monalicus Aveninus, uma das figuras mais reverenciadas da história inquisitorial, ainda ressoa pelos corredores do Quartel-General:
“A dúvida é uma doença. A heresia, um câncer. E a fé... a lâmina que purifica.”
Na galáxia da Luz de Coris, a espiritualidade não é abrigo nem consolo. É grilhão. É disciplina. É sentença. E fora dela, não há espaço... nem sequer para existir.
